Geome,tria1Apresentação

Quando, em 1930, o artista holandês Theo van Doesburg fez publicar em Milão o seu Manifesto da arte concreta, certamente não poderia imaginar que as suas ideias, de certa forma, mudariam os rumos das artes plásticas em todo o mundo.

 

A pintura tradicional, dita acadêmica, que se limitava a reproduzir a natureza de forma realista, já cedera lugar desde o final do século XIX e início do século XX às evoluções introduzidas pelo impressionismo de Monet, pelo expressionismo de Munch e pelo cubismo de Picasso e Braque, que já fora preconizado por Cézanne, mas que só veio a sofrer uma transformação radical com o surgimento do abstracionismo informal e geométrico que tomou conta da cultura ocidental a partir do fim da Primeira Guerra Mundial.

 

A tendência construtivista logo se enraizou em todas as partes do mundo e passou a ser universal. Ao Brasil ela chegou na segunda metade da década de 1940, em São Paulo, e nos primeiros anos da de 1950, no Rio de Janeiro. No primeiro caso, com o Grupo Ruptura e no segundo, com o

Grupo Frente.

 

Artistas brasileiros como Waldemar Cordeiro e Luiz Sacilotto e estrangeiros como Kazmer Féjer, Samson Flexor e Anatol Wladyslaw, no meio paulista, e Ivan Serpa e Aluísio Carvão, no carioca, foram os grandes incentivadores da formação de uma plêiade de artistas que aderiram à arte concreta. Logo depois, no fim dos anos 50, surgia no Rio, por inspiração dos artistas Lygia Clark, Hélio Oiticica e do teórico e poeta Ferreira Gullar, uma variante do concretismo, o neoconcretismo, que daquele se distinguia por provocar a participação do espectador na observação da obra de arte, ao qual aderiram nomes exponenciais de ambas as capitais.

 

De tal forma se aprofundou entre nós a arte geométrica concreta e neoconcreta que fez surgir, a partir dos anos 1960 e 1970, uma segunda geração de artistas dessa escola. Ainda hoje, passados mais de 60 anos, a arte construtivo-geométrica ainda desperta grande interesse e atenção em todo o mundo, permanecendo atual e atraindo milhares de interessados.

 

É, assim, com grande orgulho que apresentamos pela primeira vez nosso acervo de arte construtiva, que, ao longo dos últimos trinta anos, pudemos reunir e, nesta oportunidade em que se comemoram os 52 anos de Brasília, expor no belo museu criado pela arte e imaginação do poeta das linhas e formas, o arquiteto Oscar Niemeyer.

 

Se já era antes um grande prazer e uma imensa satisfação colecionar obras de arte moderna dos artistas brasileiros, a formação de um acervo de arte construtiva, concreta e neoconcreta tornou-se um desafio ainda maior e um salto de qualidade para o melhor e mais completo entendimento e compreensão do modernismo brasileiro. Que possam todos os que visitarem a exposição compartilhar conosco a imensa alegria de vivenciar essa notável e extraordinária experiência.

Espaço Expositivo

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