corpo_cabocloO questionamento sobre o que seria o corpo nordestino contemporâneo foi o mote da mostra, tornando-se uma exposição abrangente com expressivas obras de artista brasileiros que visa, através da produção artística, levantar algumas questões sobre como a arte lida com esse tema, tomando como recorte a análise de um corpo de origem cabocla presente, sobretudo de forma mais significativa nas regiões norte e nordeste do Brasil. Devido a miscigenação, muitas dessas referências passam a permear uma malha etnográfica que compõe o povo brasileiro e inevitavelmente surge, por diversos meios, na produção de arte do país. Os artistas selecionados são: Adriana Varejão, Chico Albuquerque, Efrain Almeida, Jonathas de Andrade, Letícia Parente, Naiana Magalhães, Raimundo Cela e Tiago Santana. Os artistas foram escolhidos a partir das possibilidades de diálogo com o tema proposto, além de sua relevância artística nos cenários local e nacional de arte. A exposição não tem intenção de firmar padrões, mas de apontar possíveis caminhos para uma reflexão sobre as múltiplas identidades do povo brasileiro.

 

QUAL A SUA COR? Com esta indagação o artista Jared Domicio, curador da mostra, faz uma provocação: “Seria possível pensar em um corpo como matriz genuinamente brasileira em seus gestos, sentidos e constituição? Um corpo que carregasse em sí uma maneira singular de se perceber e se relacionar com o mundo? E supondo que fosse possível essa identificação, quais as nuances dessa percepção caberiam à cultura nordestina? De início, tal pensamento já desmonta na medida em que nos reconhecemos como um povo de múltiplas origens, ainda assim o exercício de pensar sobre como somos constituídos nos levou a indagar sobre o que aqui chamamos de corpo caboclo”.

 

A exposição tem uma representação abrangente com artistas de renome no cenário nacional. Dando continuidade a sua analise, Jared comenta e apresenta estes artistas: “Quanto de caboclo há em cada um de nós? Talvez nos vejamos ou aos nossos parentes ao observar as imagens desenvolvidas por Raimundo Cela, que busca em suas pinturas retratar não somente características físicas, mas todo o gestual impresso na carne através das questões culturais que acabam por moldar corpos, que são fruto dos lugares que habitam. Por meio da fotografia , a mesma sensação é compartilhada em um diálogo direto com as fotografias de Chico Albuquerque que convidam a um passeio por uma maré de corpos e mar e abrem caminho para que possamos perceber o corpo nú do autorretrato de Efraim de Almeida, apresentado como uma pequena escultura de madeira que no contexto da exposição surge como emblema de um corpo desobediente aos padrões da mídia”.

 

“Os corpos aqui exibidos são uma provocação para pensar sobre quem somos, de onde viemos e quem dizemos ser. É o que encontramos nas imagens de Tiago Santana que adentra no universo religioso dos sertanejos ou no vídeo da artista Letícia Parente que marca na pele seu “made in brazil”, em um corpo-identidade-produto que nos leva a outro campo de ideias e onde encontramos o caboclo já dissolvido, plenamente misturado. Naiana Magalhães faz uma mistura delicada de café com leite sobre as peles e na sutileza encontra a potencia de uma população cujos tons de pele são tão diversos que não se consegue nomear, como busca fazer Adriana Varejão em sua inventiva atribuição de nomes a tintas com tons de pele. E em uma situação ainda mais peculiar encontramos a obra de Jonathas de Andrade onde o corpo atesta seu discurso através da ausência e da memória que deixamos impressa nos objetos. A cama, reestruturada evoca uma série de questões sobre que corpos a ocupam e que corpos a constroem”.

 

Espaço Expositivo

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