Carlos-Araújo_CARLOS ARAÚJO
18/11/1998 – 18/12/1998

Pudesse eu intitular as telas novamente – gritaria – explicitando o caminho de retorno, do homem ao seu criador.
Fases germinativas de um aprimoramento técnico, quiçá espiritual, me permitiram, pela Graça Divina uma aproximação gradual em atingir o objetivo que sempre pressenti e intimidou-me.
Pela escassez de fé, e receando por minhas limitações, posterguei. Agora, porém, inicio a tentativa de ilustrar a Bíblia Sagrada, reposicionando “minha” pintura como um meio e não um fim em si mesma.
Talentos, ofícios, habilidades físicas e intelectuais, ou qualquer que seja nosso Legado Divino, nos elegem receptáculos da Sua vontade, e nos responsabilizam em Lhe ser agradável. óleo, linho, pigmentos, manipulados por quem retorna ao pó – o homem – têm o poder de transmitir A Palavra, e deixam de ser a matéria frágil, o vapor, o conto ligeiro, para transmutar-se num anúncio poderoso do Todo, do Uno, do Eterno.

Aventurei-me a representar Sua vontade, refugiando-me em painéis metafóricos. Displicente, sem ser portador de importante Bênção, a Consciência de Sua Grandeza; não a exerci, portanto, minimizei-a, usufruindo e alimentando o ego ávido de inúmeras “Glórias Mundi”.

Ilustrando em paris o”Apocalipse de São João”, flutuava na imensa vacuidade da ilusão, quando iniciei, pela Misericórdia Divina, dolorosamente, meu despertar. No ápice de uma catarse redentora converti-me ao Cristianismo, alistando-me no “bom combate”, relatado por São paulo. O que era meu mérito, transformou-se em descrédito. Fragmentou-se “velho homem”, explodindo-me na face. A promessa de Cristo cumpriu-se na Terra, tornando o fardo leve e o caminho suave.

Este testemunho é uma singela imitação, repetição de milhares de outros depoimentos mais profundos e conclusivos que ratificam aquilo que nos sinalizam e ensinam as Escrituras Sagradas-portas cravadas neste deserto árido e insólito, abrindo-se de quando em quando para vislumbrarmos por segundos o Universo Primal, e lá colocadas pelo Criador.

O paradoxo de ser tão próximo ou inacessível a nós, depende da escolha humana em clamar-Lhe com fé e humildade por uma transformação radical e efetiva, ou nos dobrarmos insistentemente às ilusões. Abandonemos os nossos “meus” e “eus”, aceitando finalmente de coração e mente, que sem Ele nada podemos.
Ser moderno, em sua essência, uma questão puramente espiritual, a antítese do ego. O pensamento de origem humana atingindo os mais altos píncaros, treme e pulveriza-se em confronto com a infinita amplitude cósmica do “Eu Sou” Divino, proclamado a Moisés. A “Nova Era” nos acompanha há dois mil anos, anunciada por Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, o Messias. Procurar algo fora de Sua Vontade, no vácuo, é estar fadado a correr
eternamente atrás da própria sombra.

 

Carlos Araújo, abril de 1998

Capa do catálogo da exposição

Carlos Araújo
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