Anna-Letycia_ANNA LETYCIA
27/11/2001 – 18/01/2002

A exposição de Anna Letycia na Multiarfe foi ambicionada há muitos anos, Era um projeto pessoal, como tantos outros, mas suas inúmeras atividades a impediam de criar uma exposição específica, mostrando suas gravuras produzidas nas últimas quatro décadas e algumas experiências mais recentes no campo da pintura, O mais curioso é que a seleção das obras foi produto de um único encontro. Nada a acrescentar e nada a retirar. Uma seleção perfeita, As formas foram se acomodando, como um grande mural. Maior harmonia, impossível. Dos famosos caracóis, passando pelas caixas voadoras até as novas imagens.

Nossa amizade é também de muitas décadas, Participamos ativamente de alguns movimentos importantes das artes no Rio de Janeiro. Meu objetivo era, além de homenagear a grande dama da gravura brasileira, trazer a nossos amigos o melhor da verdadeira gravura em toda a sua plenitude, com as multiplas possibilidades e técnicas.

Depois de mostrar quase trinta exposições, ao longo de quatorze anos, em que a pintura era a técnica predominante, seria um belo desafio mostrar uma exposiçäo só de gravuras.

Com um aprendizado de alta qualidade, Anna Letycia foi aluna de Osvaldo Goeldi (1895-1961 ) e de Iberê Camargo (1914-1994), obteve reconhecimento internacional e hoje seu nome é a grande referência na gravura brasileira. Recebeu os maiores prêmios que um artista ambiciona, mas a sua maior preocupaçäo sempre foi com a transmissäo do conhecimento. A esse respeito, Ângela Âncora da Luz comenta em seu livro editado pela USP sobre a artista :’Se a pintura exige todos esses esforços, a gravura mais ainda os requer, pois não há como intuir a técnica, Ela deve ser aprendida, Aqui no Brasil Goeldi e Iberê perceberam essa necessidade, daí porque o ensino da gravura deve muito aos dois eminentes artistas, Mais tarde, viria Edith Behring (1916-1995) e, finalmente, Anna Letycia, crismando definitivamente a esse ensino, que, a um só tempo, se torna fonte de divulgaçäo da própria gravura, como também gera novos gravadores”, “Anna Letycia inicia suas atividades como professora de gravura em 1960, nas oficinas de gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Mesmo após a sua aposentadoria, ocorrida em 1995, Anna continuaria a ser Encarregada da Oficina do Ingá (antigo Palácio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em Niterói, atual sede do Museu Histórico do Estado do Rio de Janeiro), cargo de confiança, que exerce plenamente até hoje, Ali ela prossegue ensinando, numa necessidade intrínseca que a faz criar a obra e transmitir a técnica para que outros possam prosseguir”.

Com esta preocupação constante, a artista fez questão de realizar em Fortaleza um workshop para alunos de gravura do artista Eduardo Eloi. Com a exposição de Anna Letycia, retornamos nosso segmento, mostrando os artistas atuantes consagrados, como fizemos anteriormente com lberè Camargo, João Câmara e Siron Franco,
dentre outros, após um longo período preocupados em preencher lacunas históricas ligadas ao Ceará, com mostras de Antônio Bandeira e Raimundo Cela, que, por sinal, também foi um grande gravador.

Capa do catálogo da exposição

Anna Letycia
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